IV Conferência Nacional – intervenção de Francisco Tomás

Todas as intervenções na IV Conferência Nacional que nos forem enviadas serão aqui colocadas online, com o objetivo de possibilitar o seu acesso aos/às militantes do Bloco. Se pretenderes disponibilizar a tua intervenção para ser colocada online, envia por e-mail (convergencia.bloco@gmail.com) o respetivo texto ou uma breve síntese.
Transcrevemos de seguida a intervenção de Francisco Tomás.

Intervenção de Francisco Tomás na 4º Conferência Nacional do Bloco

Camaradas,

O Bloco de Esquerda está doente. Padece de uma velha doença que atacou todas as correntes marxistas do pós revolução socialista.

Essa velha doença, o centralismo burocrático, o chefismo, a substituição do debate pelo controleirismo, a subestimação da massa dos militantes pelos funcionários e assessores, foi uma das principais causas de morte dessas forças políticas e dessas sociedades chamadas socialistas.

Sim, falo do dogmatismo estalinista, a doença maior, mais perigosa, destruidora da democracia, dos coletivos partidários e que levou à transformação desses partidos em serviçais do capitalismo de Estado e privado.

Esta doença levou e leva as cadeias de direção dos partidos a montar aparelhos de funcionários, assessores, representantes parlamentares, etc., substituindo, dessa forma, o debate de ideias, a crítica e autocritica, pela chamada confiança política.

Abandonando o envolvimento na discussão política ampla, da base ao topo do partido, porque a vê como uma perda de tempo, substitui-a por palestras dos dirigentes, iluminados, que vêm dizer o que os militantes devem ou não fazer.

Pergunto: onde estão os núcleos do partido?

Quais as empresas, os setores profissionais, as freguesias, as aldeias, as escolas, etc., que têm núcleos organizados, a debater e a intervir nos problemas concretos dos trabalhadores?

Quantos núcleos existem do partido a nível de cada concelho, distrito e nacional?

O que tem andado o Secretariado, a Comissão Política e as Mesas Nacionais a fazer para enraizar o partido no seio dos trabalhadores e do povo?

Por que motivo os órgãos de direção, nomeadamente Secretariado e Comissão Política, nada têm feito para enraizar o partido, promover a iniciativa e a descentralização de atividade de núcleos, concelhias e distritais?

Um partido anticapitalista, sem núcleos de base disseminados pelos locais de trabalho, habitação, etc., está condenado a morrer como qualquer corpo humano morrerá se não tiver células saudáveis.

Um partido, anticapitalista, para contribuir para a transformação da sociedade capitalista e pela sua superação, tem de ter amplas e fortes raízes (núcleos), tem de ter como estratégia abolir a propriedade privada dos setores estratégicos da sociedade, tem de ter uma política de alianças com sectores da sociedade que ajudem a derrotar o sistema e os dirigentes do partido não devem ter Ilusões neoliberais.

Têm as direções do partido esta visão?

Porque não há questionamento, interrogações e o esmiuçar sobre as políticas e os ziguezagues políticos nestes anos de social-democracia afirmada por Catarina e Marisa?   

Não é a interrogação, os porquê? porquê? porquê?, a base de análise objetiva, de debate, aprofundamento, definição das políticas, da sua aplicação, análise, retirar lições, crítica e autocrítica, retificar o que foi feito de errado, etc., etc.?

Partir-se de fundamentos (subjetivos) de confiança política, será o fundamento para não se questionar em qualquer momento e situação o que vem de cima?

Quem paga a conta? Não são os militantes? Porque são ofendidos os militantes que exigem saber o porquê de cada parcela? Porquê, porquê, porquê?

Devemo-nos esquecer que os princípios, sendo gerais e sendo guias para a ação e intervenção, carecem sempre de análise à situação concreta, a qual está sujeita a eventuais e ininterruptas mudanças?

É preciso analisar, questionar, aprofundar, esmiuçar e debater alargadamente envolvendo o máximo de militantes.

Mas, se a maioria absoluta da direção (Rede Anticapitalista e Tendência Esquerda Alternativa), persistir em impor os seus métodos de poder absoluto e discricionário, sobre a maioria do partido onde está a Convergência e a maioria dos 70% de aderentes fora de tendências e plataformas, terão, pelo menos da minha parte, a resposta cá dentro e lá fora. Sou um militante voluntário, há 48 anos, desde a UDP, e que milita para derrotar e superar a sociedade capitalista através do ecossocialismo.

A maioria dos aderentes do Bloco (70%) que constam nos cadernos de recenseamento não participou nas votações dos delegados às Convenções, não participou nas votações das concelhias, não participou nas votações das distritais, não participou nas votações dos candidatos autárquicos, não participou nas eleições dos candidatos às legislativas e acredito que muitos não terão votado no Bloco nas legislativas.

Porquê?

É uma pergunta que exige análise, reflexão, resposta e solução.

Viva o Bloco de Esquerda!

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