IV Conferência Nacional – intervenção de Luís Gomes

Continuamos a receber intervenções de camaradas na IV Conferência Nacional. Todas as intervenções que nos forem enviadas serão aqui colocadas online, com o objetivo de possibilitar o seu acesso aos/às militantes do Bloco, tendo em conta que, pela primeira vez na história do Bloco, o evento foi “à porta fechada”. Se pretenderes disponibilizar a tua intervenção para ser colocada online, envia por e-mail (convergencia.bloco@gmail.com) o respetivo texto ou uma breve síntese.
Transcrevemos de seguida a intervenção de Luís Gomes.

Intervenção de Luís Gomes na 4º Conferência Nacional do Bloco

Cumprimentos a todas e todos.

O país precisa de uma esquerda forte e influente, capaz de enfrentar as mudanças que estão a ocorrer no mundo. Trabalhámos muito para isso nos últimos anos, cada um de nós deu o litro e muito esforço, mas isso não nos deve impedir de fazer uma reflexão profunda sobre o ponto a que chegámos. Sem essa análise, sem percebermos o que correu e por que correu mal, não avançaremos.

Não se compreende que alguns recusem fazer uma análise profunda sobre os erros políticos que nos conduziram a estes resultados, ficando-se, com uma certa dose de irresponsabilidade, por motivos conjunturais. Direi mesmo, não sermos capazes dessa autocrítica transformadora, enreda-nos numa complicada teia de justificações que nos retira credibilidade perante as pessoas. E podemos ter a certeza de que as pessoas percebem isso.

A primeira coisa a fazer é ganharmos capacidade de diálogo entre nós. Em vez de trincheiras, precisamos de diálogo democrático e plural, sem exclusões. Sem isso, é muito difícil conseguir diálogo sincero com a sociedade.

As recentes eleições Legislativas foram o culminar de um ciclo político em que o Bloco colocou como objetivo central constituir-se como parceiro privilegiado para uma maioria parlamentar de suporte à governação PS ou até parceiro de um governo. Por muito que nos custe, esta ideia afastou-nos da nossa base eleitoral, diminuindo a voz firme na luta pelos interesses dos trabalhadores e dos mais desprotegidos.

Os resultados foram claros: perdas eleitorais sucessivas e diminuição da representatividade. A constante hesitação entre sermos parceiros da maioria ou assumirmos ser oposição retirou-nos força na luta política.

A narrativa das conjunturas é pouquinha. A linha política de permanente apelo a uma aliança com o PS com diluição das bandeiras que foram essenciais na afirmação do Bloco, levou-nos às sucessivas derrotas. Colocar como eixo central o nosso programa, não teria sido impeditivo de defender alianças. Esse balanço tem de ser feito para que um novo rumo possa ser traçado, a partir de uma Convenção que construa um caminho de cooperação e de diálogo. Ninguém no Bloco pode ser dispensável.

Uma Convenção que afirme as prioridades com determinação. Defesa da dignidade das condições laborais e exigência de revogação da legislação que as diminui; o desequilíbrio entre trabalho e capital não pode continuar a agravar-se, agora também pela pressão da carestia, sem atualizações salariais; reforço do investimento nos serviços públicos, em especial no SNS e na educação; proposta de um serviço nacional de habitação pública que garanta o direito à habitação e impeça os despejos de famílias sem alternativa habitacional; respostas à emergência climática sem prejudicar os direitos dos trabalhadores; urgência da Regionalização como instrumento para a descentralização e a democracia; crítica à nova corrida ao armamento e à Europa neoliberal e cada vez mais militarista e submetida à NATO.

A construção de uma sociedade socialista e ecologicamente justa – ecossocialista – tem de estar presente na intervenção e na comunicação do Bloco, sem medos! As recentes eleições francesas provam que a esquerda pode crescer e ter vitórias com um programa combativo e claramente à esquerda, sem ter de ficar dependente dos sociais-democratas, mesmo nas mais difíceis condições de bipolarização e de ataque dos liberais e da extrema-direita. Ficou claro em França que a unidade popular e a convergência das forças à esquerda se fazem a partir da nossa autonomia.

O que está a acontecer com o Bloco prova que temos de identificar os erros e alterar o rumo. A geringonça cumpriu um papel positivo até certo momento, depois passou a ser uma arma apontada contra nós. O Parlamento tem de servir para mobilizar e não apenas para fiscalizar e negociar. Temos de voltar à rua e às lutas todas. Perante a carestia e o empobrecimento, o nosso foco tem de estar no movimento social. É isso que fortalece e faz recuperar confiança.  Temos de saber ouvir as bases e respeitá-las, de reconstruir o Bloco com o trabalho local, ouvir e colaborar com as distritais e concelhias, dar voz ao trabalho autárquico. Temos de recuperar a capacidade de diálogo, interna e externamente. Vamos com coragem à Convenção e retomar as nossas raízes.

Viva ao Bloco de Esquerda!

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