Os trabalhadores não podem ser transformados em peças decorativas dos Conselhos de Administração

Intervenção de Ricardo Salabert na reunião da Mesa Nacional de 19.Nov sobre as questões do trabalho.

Os documentos aqui apresentados, após a realização do XII Encontro do Trabalho, bem como a proposta para a CNT (Coordenadora Nacional do Trabalho), são um reflexo do que tem sido a atividade do Bloco, numa visão de grande educador das massas.

O encontro realizado no passado fim de semana [XII Enc. Trabalho, no Porto], embora útil para o aprofundamento de algumas questões mais técnicas, foi um exercício de retórica que esvaziou o espaço de partilha de informação sobre as realidades locais, que só ocorreram quando as intervenções romperam a dinâmica dos temas dos painéis, esquecendo que a riqueza deste nosso movimento é, precisamente, essa partilha, que nos permite consolidar o nosso conhecimento das realidades específicas de cada setor e local de trabalho, permitindo aprofundar a intervenção política, a partir das bases e destas experiências partilhadas.

É, portanto, sem surpresa que vemos na proposta de constituição da CNT a exclusão de 3 membros do Conselho Nacional da CGTP, e a instrumentalização da CNT para promover uma linha de atuação que está longe de ser aquela de que as/os trabalhadoras/es precisam.

As/os trabalhadoras/es não precisam que as/os eduquem sobre os malefícios da exploração capitalista, porque a sentem diariamente na pele, isso virá com o entrosamento do Bloco na luta das/os trabalhadoras/es, algo que sempre fizemos, com sucesso, mas que parece querermos esquecer. O que as/os trabalhadoras/es precisam, no imediato, é que lhes seja dada voz, que seja denunciada a sua exploração e que sejam tomadas ações concretas para a melhoria das suas vidas.

A maioria das/os trabalhadoras/es já não se revê no movimento sindical tradicional, porque durante anos foram conduzidas/os para lutas marcadas pela vanguarda do movimento sindical, sem que disso viessem frutos concretos, objetivos, palpáveis. Com efeito, tem-se verificado precisamente o oposto, que nem as parcas melhorias sentidas nos últimos anos pós-Troika conseguiram mitigar.

O movimento sindical só cresce, batendo-se pela revogação das adaptabilidades e demais manigâncias presentes no CT (Código do Trabalho), pela valorização dos salários, e pela defesa dos direitos dos pensionistas.

O movimento sindical só cresce, batendo-se pela ampliação do direito à greve e consagrando os fundos de greve, em vez de tentativas esdrúxulas de esvaziamento constitucional da luta de classes, colocando os trabalhadores como peças decorativas dos Conselhos de Administração, ou como peças ativas da engrenagem corporativista.

A nossa intervenção deve ir no sentido do aprofundamento da luta de classes, não só no seu sentido estrito da luta do trabalho contra o capital, mas no seu sentido mais lato, travando lutas interseccionais, pela igualdade de oportunidades entre mulheres e homens, pelo direito das/os jovens a almejar uma carreira que lhes permita independência, por pensões que verdadeiramente permitam o direito ao ócio, e pelo fim de todas as formas de assédio, seja em função do género, da etnia, ou da orientação sexual.

A CNT deve ser o reflexo de tudo isto, conjugando a experiência daqueles/as que connosco têm partilhado as suas experiências de longas décadas, com as novas formas de organização de trabalhadoras/es, e com as novas expressões do sindicalismo, consequente, dinâmico e interventivo.

Está na hora de, também na CNT, fazer a luta toda!

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