Sobre o chamado “roteiro para o autofinanciamento”

por Maria Conceição Anjos

É um facto que o Bloco perdeu capacidade financeira e se encontra numa situação difícil, na sequência dos maus resultados obtidos em sucessivos atos eleitorais.

É de todos conhecida a nossa posição sobre esta matéria. Más opções levaram-nos à situação em que nos encontramos, e se voltamos a falar do assunto é porque achamos que nunca houve, por parte da direção, uma reflexão/autocrítica séria sobre as opções políticas, reiteradamente, assumidas.

Talvez um dia esse momento chegue.

Em resposta a esta realidade concreta, que obrigou a dispensar funcionários e a rever a rede de sedes e de outdoors, a nível nacional, os militantes deram uma resposta que só podemos classificar como de grande abnegação.

Sabemos todos que embora havendo diferenças entre distritais, o resultado conseguido superou todas as expectativas.

É exatamente por esta resposta dada pela militância que nos parece, extemporâneo, que se venha agora propor um aumento da quota anual de 15 para 25 euros, um aumento de aproximadamente 67%.

Na distrital a que pertenço (Santarém), há inclusive camaradas que atendendo à sua contribuição mensal para que as sedes se mantivessem abertas, propuseram, em documento enviado à Comissão de Direitos, em 25 de julho, que seria, da mais elementar justiça, ficarem isentos do pagamento da quota anual.

Pelo que sei, a Comissão de Direitos ainda não respondeu, mas não será difícil adivinhar qual vai ser a resposta.

Para os que acham que a quota é uma forma de vínculo, e que há uma responsabilidade militante para com o partido, diremos que a quota pode ser tudo isso, mas também pode ser uma forma de acentuar a discriminação quanto à capacidade de militância, neste caso entre quem pode e quem não pode, e isso é intolerável num partido de esquerda.

Diremos mesmo mais, num partido de esquerda, a quotização não deveria ter um caráter obrigatório. Deveria ser facultativa e de acordo com a vontade/ possibilidade de cada militante.

O que agora se propõe, no contexto económico que atravessamos e que está para durar, vai, no mínimo, aumentar os pedidos de isenção de quota e se clarificarmos e apertarmos os critérios para a sua concessão, levará, em último recurso, ao abandono simples, tudo o que não queremos.

Não é nosso intuito sermos arautos da desgraça e entendemos a necessidade de aumentar as receitas, mas não nos parece que seja esta a via mais eficaz, não nos enganemos, pode parecer a mais fácil e a mais rápida, mas é seguramente perigosa.

Finalmente, dizer que, acreditamos que não sendo este um assunto consensual, teremos oportunidade de o discutir e decidir na próxima Convenção Nacional.

[Texto de acordo com intervenção proferida na última reunião da Mesa Nacional]

[Imagem: “Roteiro das Artes”]

Maria Conceição Anjos

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