IV Conferência Nacional – intervenção de José Santana Henriques

As intervenções realizadas na IV Conferência Nacional podem ser aqui colocadas online para ficarem à disposição das/os militantes do Bloco, contribuindo assim para o debate interno. Para esse efeito, basta que nos sejam enviados os textos ou sínteses das intervenções para: convergencia.bloco@gmail.com . Todas serão publicadas, independentemente de qual ou quais as propostas a que manifestem apoio ou posição crítica. A plataforma Convergência – Espaço Ecossocialista está ao serviço do debate democrático e do diálogo no seio do BE.
Transcrevemos de seguida a intervenção de José Santana Henriques.

Intervenção de José Santana Henriques na 4º Conferência Nacional do Bloco

Sou subscritor de um texto alternativo apresentado nesta Conferência. Porquê? Porque acho necessário que seja feito um balanço sério ao que tem sido a política do BE. Há um ciclo de derrotas que deve ser discutido. Não vale a pena “esconder o Sol com a peneira”. Os desaires eleitorais estão à vista e devem ser discutidos e têm que ser tiradas consequências. É preciso mudar de orientações. E para isso, penso eu, é necessário uma Convenção para se redefinir essas orientações. É preciso restabelecer o diálogo, porque temos que mudar!

Além disso, há uma nova realidade mundial que a guerra originou e isto implica definições políticas.

Se, até aqui, o Bloco esteve organizado em torno do seu grupo parlamentar, esquecendo o trabalho de base, os núcleos nas empresas e nos bairros, esquecendo as lutas sociais – agora, é preciso mudar.

Onde esteve o Bloco na luta dos professores, dos estivadores, dos enfermeiros, dos motoristas de matérias perigosas, dos trabalhadores da TAP, pelos seus direitos e contra a militarização da greve? Não serve de nada fazer uma aparição esporádica e dizer: ah, nós estivemos lá! Não! É preciso um trabalho continuado, organizado. E para isso são precisos os núcleos, nas empresas e nos bairros, reunir e discutir como fazer. É preciso organizá-los, e para isso precisa-se de uma nova estratégia.

A partir de agora, o Bloco tem/deve assumir o seu lugar lá onde estão as lutas, se queremos ser anticapitalistas, pelo social e pelos trabalhadores.

Então o que vamos fazer face aos despedimentos que estão aí? O que vamos fazer face aos despejos que estão aí? O que vamos fazer face à miséria e empobrecimento constante dos trabalhadores? O que vamos fazer face à necessidade imperiosa de habitação? E o que fazemos em relação às casas vagas, não devem ser ocupadas já pelas famílias necessitadas?

Até aqui, o Bloco viveu na ilusão de que podia mudar o PS para a esquerda. Votou e bem, contra os dois últimos Orçamentos de Estado, mas esqueceu-se de explicar aos trabalhadores e eleitores porque tinha votado contra o governo. Para vir dizer que a seguir às eleições se iria reunir com Costa/PS, para discutir um novo governo? Os eleitores diziam: derrubaram o governo e agora querem juntar-se a eles? Quem compreende esta política? Apenas a direção do Bloco, e os resultados estão à vista.

É preciso retirar consequências políticas da submissão ao governo Costa/ UE, como será preciso tirar consequências políticas da submissão do BE às políticas de guerra da UE/NATO e à aprovação do texto que os deputados do BE votaram no Parlamento Europeu. Proponho que leiam esse texto votado no PE e que analisem, cada um por si. Não é preparando a guerra que se faz a paz. Paz ou guerra, eis a questão!

Agora quais são as consequências? É que a guerra aprovada no PE pelos deputados do BE, exige ente outras, que todos os governos, como o de Costa/PS, assuma, antes de qualquer outra despesa, mais 1.116 milhões para a guerra. E também para respeitar os compromissos com a UE e o Pacto de Estabilidade e Crescimento, o governo vai ter que pagar a dívida dos banqueiros, dita dívida pública. As consequências são: que orçamento vai haver para o SNS, para a educação, para a habitação, para as políticas sociais? Para os ministérios, para os trabalhadores? Para o País?

O que vai haver é uma espiral inflacionista, tudo vai aumentar, por causa das ditas sanções da guerra, que recaem, sobretudo, sobre os mais necessitados. E o governo Costa/PS vem dizer que não se pode aumentar os salários porque isso faz aumentar a inflação? Mentira! O aumento dos salários faz é baixar os lucros. E o governo, governa para os patrões, não para os trabalhadores, como vemos, mais uma vez.

É preciso mobilizar o Bloco, organizar núcleos de base, discutir e decidir como ajudamos face aos problemas sociais que estão diante de nós.

Obrigado.

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