IV Conferência Nacional – intervenção de Carlos Marques

Para que todo o Bloco possa ter acesso às intervenções na Conferência (para além do discurso da camarada Catarina Martins, divulgado pela Comunicação Social e no Esquerda.net), colocaremos online as participações escritas que nos forem enviadas. Se disponibilizares a tua intervenção para ser colocada online, envia por e-mail (convergencia.bloco@gmail.com) o respetivo texto ou uma breve síntese.
Transcrevemos de seguida a intervenção de Carlos Marques.

Intervenção de Carlos Marques na 4ª Conferência Nacional do Bloco

Boa tarde Camaradas.

Gostava que debatêssemos com seriedade e camaradagem as razões da derrota eleitoral de 30 de Janeiro e a nova situação nacional e internacional, criada com a maioria absoluta do PS e a terrível invasão da Ucrânia pela Rússia, com todas as suas consequências.

A derrota de janeiro exige reflexão séria sobre qual a política que motivou essa derrota.

Não foi coisa pouca!

Perdemos 14 deputados em 19, perdemos mais de metade dos votos e mais de metade da votação em percentagem.

Não se pode passar por cima disto como gato sobre brasas.

E já tínhamos sido bem avisados desde 2017.

Em 2107 perdeu-se nas eleições regionais da Madeira toda a representação parlamentar. Primeiro aviso.

Nas legislativas de 2019 perdemos votos apesar de mantermos o mesmo número de deputados. Segundo aviso.

Nas presidenciais de 2021 perdemos 65% da votação, apesar da nossa candidata ter sido a mesma e de ter feito o máximo que pode na campanha. Terceiro aviso.

Nas autárquicas de 2021, perdemos votos e passámos de 12 vereadores para 4 vereadores. Quarto aviso.

E assim chegamos às eleições deste ano sem “arrependimentos” e insistindo na mesma política centrada em acordos com o PS, em vez de centrarmos nas lutas do povo, dos trabalhadores e dos operários como resistência e oposição à política neoliberal de António Costa. E foi o que se viu.

Para além das eleições regionais dos Açores, neste período tivemos uma vitória eleitoral.

Foi nas eleições europeias onde subimos a votação e elegemos dois deputados. Porquê? Porque nestas eleições não se andou a pedir acordos com o PS, mas antes assumimos a nossa raiz de crítica e combate a esta União Europeia neoliberal. Recordam-se da palavra de ordem da campanha “desobedecer à UE”? A nossa radicalidade de pensamento polarizou vontades.

Nada destas derrotas têm a ver com pessoas ou camaradas .

Já ouvi dizer que a razão da derrota nestas legislativas foi a bipolarização. Mas sabem-me dizer em que eleições não houve bipolarização entre PS e PSD?

Já ouvi argumentar que os revolucionários não mudam de linha política em função de eleições!

Se esses camaradas tivessem razão hoje não existiria Bloco, pois as organizações que lhe deram origem não teriam alterado a sua política face aos desaires eleitorais da altura.

E ainda apareceu o argumento impensável de que a nossa derrota de Janeiro se deve ao que está a acontecer a todas as forças da esquerda consequente em toda a Europa.

Se isto fosse verdade como explicar a gigantesca votação da esquerda nas presidenciais em França, em que Mélenchon se apresentou com um programa radical, independente e polarizador dos trabalhadores franceses, contra a social-democracia, a direita liberal e a extrema-direita?

O erro esteve na linha política do Bloco, de andar a reboque do PS depois de, em 2015, ter feito, com muita justiça, um acordo para afastar a direita do poder e, em 2017, após a primeira fase de reposição dos direitos roubados ao povo pela direita, não ter colocado o PS perante um novo caderno reivindicativo como condição para continuar com a geringonça.

Hoje sermos oposição é afirmarmos com clareza que das duas uma: ou Dr. Costa e o Dr. Medina comem muito queijo e esquecem as leis da economia ou então mentem com todo o descaramento.

Diz o Governo PS que não se pode subir os salários pois isso criaria uma escalada de inflação.

E afirmam que a formação do preço final das mercadorias que compramos é composto pelo custo das mercadorias necessárias para a sua produção, mais os impostos, mais juros de investimento, mais os salários.

E então os lucros do capital não estão incluídos no preço final do que compramos?

Pois esta é a questão de fundo. Estamos a assistir desde o ano passado a um aumento da especulação do capital para obtenção de exorbitantes lucros. Um grito de escândalo contra os mais de dois milhões de pobres em Portugal.

Dr. Costa e Dr. Medina, escrevam para não esconderem mais ao povo pobre que:

– O Continente/Sonae teve em 2020, 71 milhões de euros de lucro e em 2021 (ano de crise), 218 milhões de euros, 200% de aumento e não havia guerra;

– O Pingo Doce teve em 2020, 219 milhões de lucro e em 2021 teve 463 milhões e não havia guerra;

– A Endesa teve 1.902 milhões de lucros em 2021 (não havia a energia a ficar mais cara);

– A GALP, em 2021, teve de lucros antes de impostos, depreciações e amortizações 1.852 milhões de euros, mais 49 % que no ano anterior e não havia guerra.

– A EDP, em 2021 teve de lucro final 657 milhões.

São só alguns exemplos

E podíamos continuar.

Existe riqueza produzida que dá para se poder aumentar os salários e fazer face aos atuais 7,2% de inflação, assim haja coragem para limitar as margens de lucro do capital.

O capital é super remunerado, o trabalho é super penalizado.

“Eles comem tudo e não deixam nada”.

Urge a subida de salários!

Urge o congelamento dos preços dos bens de primeira necessidade!

Tudo indica, que tudo vai piorar este ano com os verdadeiros efeitos da guerra que estão ainda para chegar.

E sobre esta guerra, para polarizar, o Bloco deve ser claro, reclamando : Putin fora da Ucrânia, NATO fora da Europa!

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