Imagem COMUNICADO COVERGÊNCIA

A Comissão Política do Bloco de Esquerda em estado de NEGAÇÃO

A maioria da Comissão Política do Bloco de Esquerda encontra-se em estado de negação e incapaz de enfrentar a realidade.

Perante o apelo que lhe foi dirigido por cerca de 130 militantes, entre os quais dirigentes da Mesa Nacional, de Coordenadoras Distritais e de Concelhias, para a realização de uma Mesa Nacional a curto prazo, com o objetivo de debater a convocação de uma Convenção que corresponda à necessidade óbvia de um balanço político sério e a consequente definição de um novo rumo estratégico, a Comissão Política rejeitou fazê-lo.

A maioria da Comissão Política divulgou como resposta um comunicado público, da iniciativa do secretariado nacional, sem um único argumento político que sustente a rejeição do apelo, lançando apenas processos de intenção que raiam o insulto gratuito contra camaradas, como facilmente se constata pela sua simples leitura. Esta forma de tratar os/as militantes que se lhe dirigem é sintomático do fechamento defensivo em que se encontra, e não pode deixar de ser criticada e recusada.

O que é decidido em Convenção só por Convenção pode ser alterado; se assim não for, os estatutos e a democracia interna são violados.

A tentativa de diluição e dilação, acompanhada de um lamentável desrespeito pelos/as militantes, choca com dois escolhos de monta, um político e outro estatutário. Em termos políticos, não há condições para definir a estratégia para um novo ciclo, se não se partir de um balanço sério e autocrítico, que só pode ser realizada numa Convenção à qual o secretariado nacional se quer furtar.Estatutariamente, o rumo estratégico do Bloco só pode ser traçado numa Convenção, com legitimidade própria para decidir, com delegados/as eleitos/as e debate democrático e amplo entre as várias perspetivas  (Artigo 8º dos Estatutos – Convenção Nacional – Ponto 3: A Convenção Nacional (…) delibera sobre Estatutos, orientação política e objetivos programáticos (…).

A anunciada Conferência Nacional não tem carácter vinculativo e, conforme o Artigo 19º dos Estatutos, apenas pode “promover o debate e a elaboração de conclusões e recomendações sobre assuntos de caráter específico.” Independentemente de a Conferência contribuir para o debate, é um abuso considerar que o balanço e a definição de um novo rumo político são questões de “carácter específico” e que tudo se pode reduzir a meras “conclusões e recomendações”. Entender que uma linha política e uma direção política estão imunes a resultados eleitorais conduz a uma prática arrogante de negação da realidade, sobretudo quando centra a sua atividade no parlamento e nas eleições. O resultado da tradição de certas esquerdas que se consideraram imunes a resultados eleitorais tem sido o do isolamento, afastamento da realidade e consequente definhamento político.


Se o secretariado nacional está tão confortável com a sua orientação política, qual o receio evidenciado de convocação da XIII Convenção Nacional, clarificadora, dentro de um prazo razoável que tenha em conta a urgência do problema? Se tem a certeza de que a sua linha política que conduziu a derrotas sucessivas é maioritária, por que lança a atoarda de que a Convenção mudaria a direção? Se uma Convenção é o ato mais democrático, participativo e de maior repercussão pública do Bloco, que sentido faz considerar que seria paralisadora da ação política? Se foram marcadas e realizadas várias Convenções em período de debate orçamental ou próximo, qual a incompatibilidade agora encontrada para que a próxima não se realize nos próximos meses?

Ao rejeitar aquele apelo, a direção do Bloco está a desperdiçar, mais uma vez, a oportunidade para reatar o diálogo dentro do Bloco de Esquerda entre os/as aderentes e as várias sensibilidades que o compõem. Em vez de cooperação, o secretariado nacional opta pela confrontação de modo a poder lançar anátemas sobre os militantes que consideram indispensável avançar para uma Convenção.

As pesadas derrotas eleitorais do Bloco, a nova situação política nacional – que exige análise das suas causas – assim como a nova situação internacional resultante da guerra na Ucrânia, impõem com urgência a convocação da XIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda. É de considerar que este objetivo possa vir a ser alcançado.

2 pensamentos sobre “A Comissão Política do Bloco de Esquerda em estado de NEGAÇÃO

  1. O povo costuma dizer “,quem não deve não teme”. Na verdade, perante diversos cataclismo políticos recusar ir à essência do problema para ficar comodamente sentado na aparência é o contrário da seriedade do debate. Não sou militante do bloco , mas acho que a recusa do debate não serve a esquerda e arma o centro e a direita para atacar o bloco na sua maior fortaleza: a crítica e a autocrítica .

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  2. Como já temos experienciado em outras situações, a direcção do BE insiste não em contribuir para a solução dos graves problemas do partido e da esquerda, preferindo constituir-se como parte essencial do problema, entrincheirando-se em posições defensivas e de total fechamento ás realidades, chegando até a atacar quem procura as soluções mais democráticas. Tais factos prenunciam uma degradação profunda da credibilidade da direcção e do partido, apondando para um clara cisão no curto ou médio prazo. Se é isso que querem, aposto que o vão conseguir. A direita agradece reconhecidamente.

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