Bloquistas do Conselho Nacional da CGTP tomam posição sobre a guerra na Europa

PARAR A AGRESSÃO E A INVASÃO IMPERIALISTA DA RÚSSIA. POR UMA UCRÂNIA INTEGRAL E NEUTRAL!
Solidariedade com os trabalhadores e o povo ucraniano!

  1. A invasão militar da Ucrânia pela Federação Russa é intolerável. A agressão militar russa tem de ser condenada
    com veemência por quem considera a paz um valor fundamental e tem consciência de que a guerra atinge
    sobretudo os povos, os trabalhadores e as pessoas mais vulneráveis. Ao ver um país invadido por um vizinho
    poderoso, uma potência imperial, a esquerda só pode colocar-se ao seu lado em defesa da sua integridade e
    independência, sem que isso signifique qualquer identificação com o respetivo governo, considerando o golpe de Estado na Ucrânia em 2014, protagonizado por forças fascistas que, entre muitos e graves crimes, foram
    responsáveis por incendiar uma sede dos sindicatos ucranianos e provocar a morte de mais de 40 sindicalistas.
  2. Perante a anexação do Donbass, é preciso condenar firmemente a aventura militar de Putin, aliás acompanhada de um discurso imperialista que nega o direito da Ucrânia à existência como Estado independente. Trata-se da rejeição dos Acordos de Minsk, violados por ambas as partes ao longo dos anos. Esta anexação configura, sem margem para dúvidas, uma ruptura com o processo anterior, a partição do território da Ucrânia, cujas fronteiras são reconhecidas pelas Nações Unidas, totalmente à revelia do direito internacional. A atuação de Putin só encontra acolhimento significativo em conhecidas personalidades da extrema-direita europeia.
  3. As ditas Repúblicas de Donetsk e de Lugansk nunca tiveram qualquer processo de autodeterminação nacional que as qualificasse para soluções individuais e são agora, de facto, territórios sob domínio da Federação Russa.
  4. Para combater o aumento das tensões e a guerra na Europa não basta decretar sanções ao sistema financeiro e aos oligarcas russos. É preciso não alimentar a disputa pelas zonas de influência, condenar a militarização, a
    expansão do cordão de bases da NATO ao longo das fronteiras e defender um estatuto de neutralidade para a
    Ucrânia. Não tem sido esse o caminho da União Europeia, nem a do Governo português. Prometeram a paz na
    Europa e oferecem-nos de novo a guerra.
  5. Manifestamente, a imposição americana de armamento e bases da NATO ao longo das fronteiras da Federação
    Russa resulta num agravamento das tensões e numa escalada do conflito à maneira da Guerra Fria. O Governo
    português deve atuar para que a Ucrânia possa ter um estatuto de facto congénere ao da Finlândia – de
    neutralidade respeitada. Parar a guerra e dar lugar à diplomacia, é a único caminho aceitável em que todas as
    partes se deveriam empenhar.
  6. A retirada de Portugal da NATO e o fim da mesma, impõe-se para que Portugal não se insira numa crescente
    escalada bélica, nomeadamente com o envio de efetivos militares, e contribua para a defesa da paz que se coloca cada vez com maior evidência e exigência. Depois de uma destrutiva pandemia que aumentou as desigualdades e o empobrecimento, vem aí de novo a crise, agora atrelada aos carros de guerra imperiais, com escassez de bens essenciais, pressão da inflação e o aumento de preços, vão determinar mais perda de rendimentos para os trabalhadores, mais exploração e mais pobreza. A coberto da crise, o discurso da austeridade não tardará.
  7. Os bloquistas da CGTP-IN manifestam a sua solidariedade com os trabalhadores ucranianos, bem como aos
    imigrantes que vivem e trabalham em Portugal.
    Não à guerra! Não ao envio de tropas e meios militares portugueses para a guerra! É urgente parar a guerra e dar lugar à paz.

Ligações para notícias sobre o comunicado:

www.noticiasaominuto.com/economia/1952668/bloquistas-da-cgtp-condenam-invasao-mas-rejeitam-envio-de-meios-militares
www.msn.com/pt-pt/noticias/ultimas/bloquistas-da-cgtp-condenam-invasão-mas-rejeitam-envio-de-meios-militares/ar-AAV0zE5
www.lusa.pt/article/2022-03-13/36262549/ucrânia-bloquistas-da-cgtp-condenam-invasão-mas-rejeitam-envio-de-meios-militares-portugueses

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