A luta é pela Paz e contra todas as discriminações

por Jorgete Teixeira, Manuela Tavares e Maria José Magalhães

Neste dia sinalizado como o Dia Internacional das Mulheres, chegam-nos à memória os caminhos partilhados pelas mulheres ao longo dos séculos. As greves de protesto, as manifestações, os diferentes palanques onde gritaram pelos seus direitos, onde enfrentaram as forças repressivas, a agressão ao seu corpo e à sua família, a prisão, a morte. Há atrás de nós um longo e penoso caminho de insubmissão, resiliência e coragem.

É a força das convicções sobre os direitos das mulheres, que sustenta anos e anos de lutas, na rua mas também em casa, pela igualdade de direitos, por melhores condições de vida, contra a dupla exploração da sua força de trabalho, contra o domínio do patriarcado, contra a violência a vários níveis, contra todas as discriminações. Mas apesar dos avanços e conquistas, é preciso um estado de alerta constante contra todos os retrocessos e um cerrar fileiras para fazer face a novos desafios que se colocam no nosso mundo ameaçado por variados perigos a nível social, político e ambiental.

Este Dia da Mulher vem apanhar-nos no meio de um conflito armado.

Neste 8 de março de 2022, mulheres e homens devem gritar em uníssono contra uma guerra imposta aos povos por interesses imperialistas. Na Ucrânia hoje, mas também em outras partes do mundo são sempre as mulheres, as crianças, as pessoas mais velhas, as pessoas racializadas, quem mais tem sofrido, ao mesmo tempo que os homens são enviados para morrer e para matar. O sistema capitalista e patriarcal alimenta-se da guerra, da corrida ao armamento, sustentada pela NATO ansiosa por alargar a sua área de influência, assim como Putin anseia por ressuscitar uma Rússia imperialista e czarista.

Neste 8 de março é preciso também dizer que a luta contra todo o tipo de discriminações está na ordem do dia. Discriminações que teimam em permanecer porque são sustentadas pelo sistema em que vivemos, que exacerba o machismo, o racismo, a lesbofobia e que legitima muitos destes comportamentos que a extrema-direita tenta naturalizar, não só em Portugal como em outros países.

Neste 8 de março é ainda urgente que se denuncie todo o tipo de violência contra as mulheres, contra os femicídios que ceifam dezenas de vidas todos os anos, contra a despenalização destes atos hediondos que ainda ocorrem nos tribunais, nas esquadras de polícia, na sociedade. 

Por outro lado, o nosso planeta está a ser destruído pelos interesses capitalistas que as chamadas “economias verdes” não conseguem disfarçar.

Neste 8 de março é preciso afirmar que o abate de florestas, as minerações a céu aberto, o desigual acesso à água, a contaminação de rios e ribeiras, a aridez dos solos, as alterações climáticas afetam milhões de mulheres e raparigas em todo o mundo.

As mulheres são mais de metade da mão-de-obra agrícola em todo o mundo. Dessa agricultura dependem as suas famílias em muitos continentes. O que fazer quando a terra seca e gretada não permite fazer culturas? O que fazer, quando os furos de água secam? O que fazer, quando as produções são cada vez mais globais e menos locais?

As mulheres têm sido as maiores lutadoras em muitos lugares do mundo contra a crise climática e cresce a consciência de que estas lutas estão cada vez mais ligadas às lutas anti-capitalistas e anti-patriarcais.

Façamos deste 8 de março um dia de denúncia e de revolta contra este sistema que nos oprime, escraviza, explora e mata.

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