A mestria de Costa e o inepto de Martins

Não foi por ter votado contra os Orçamentos de Estado (OE), nem tão pouco por ser anti troika, que o Bloco de Esquerda (BE) teve maus resultados, quer nas últimas eleições autárquicas, quer nas eleições legislativas de 2022. Julgo que, caso o BE tivesse viabilizado os últimos OE, o que seria um erro histórico crasso, teria os mesmos maus resultados. Seria, como foi, vítima do seu próprio comportamento; cego!

Como eterno aderente, ainda membro da Concelhia de Viseu, tenho confrontado comportamentos e atitudes que me levam a concluir que o BE parece não querer ser maior; que perdeu visão estratégica e grande parte da capacidade para se afirmar como alternativa, quer a nível autárquico, quer a nível nacional.

Do meu ponto de vista, a realidade (que alguns não querem ver) é muito preocupante pois, apesar de não fazer eco dentro da cápsula doirada da atual Comissão Política, está a degradar os alicerces do partido. Se nas autárquicas não travámos uma discussão séria, por exemplo, acerca da regionalização ou dos problemas do dia-a-dia das pequenas empresas familiares ligadas à agricultura, ao comércio e à industria (preferiu-se falar, em uníssono, da bazuca de Costa e do eterno comboio fantasma de Ruas), nas legislativas mostrámos desorientação ao apresentarmos o mesmo comportamento de sempre: o esticar a mão direita ao PS.

Acredito que na cabeça de alguns ainda permaneça tal pensamento: «ainda não foi desta que a Mariana Mortágua chegou a ministra». Enfim! Por outro lado, por se colocar muitas das ideias e princípios escritos no nosso manifesto fundador “Começar de Novo” nas gavetas da Rua da Palma, escancararam-se portas para que os novos velhos partidos da direita entrassem pelo espaço da democracia portuguesa adentro. É um facto! A meu ver, a culpa é nossa. É, sobretudo, dos dirigentes e funcionários do BE pois, perante a ameaça da vitória da direita, da tanta importância dada ao partido Chega, os portugueses, com receio, votaram no PS do social-democrata António Costa e do socialista Pedro Santos Nunes.

Por estas e muitas outras razões, só nos resta fazer uma autocritica. Se tiver capacidade, vontade, o BE deverá organizar debates internos (sem medo das plataformas digitais) para redefinir novas condutas que o leve a uma convergência com os aderentes descontentes; com o País de esquerda e de centro-esquerda. Antes de mais, o Bloco terá de ter capacidade para perceber que esta derrota eleitoral (mais uma) não é “o recomeçar de novo”, mas “o aprender com os erros” para poder ser, realmente, maior!

Porque os próximos capítulos vão ser duros, os poucos eleitos deverão estar preparados para os confrontos que se advinham nas assembleias distritais e municipais, no parlamento nacional e nas ruas; fortes e tranquilos para enfrentar uma direita raivosa, provocatória e mordaz… que nada trará de bom a Portugal.

* Luís Mouga Lopes

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